O plantio de Eucalipto estraga ou recupera o solo?

Quem nunca ouviu falar que o eucalipto estraga o solo e impede o plantio de outra cultura? Esse é um dos maiores mitos em torno desse cultivo e até hoje muita gente acredita nisso.

De onde vem os mitos sobre eucalipto?

Desde a década de 60 começaram os mitos sobre o eucalipto, de que a plantação estragava a terra e consumia muita água. Estudiosos acreditam que isso surgiu por causa do insucesso das primeiras das florestas plantadas.

Não havia conhecimento técnico sobre essa cultura que na época era nova. E as notícias se espalhavam. Nas décadas de 70 e 80 houve também um plantio desordenado no Brasil e as plantações de eucalipto acabaram ganhando o apelido de “deserto verde”.

Por incrível que pareça algumas dessas crenças persistem até hoje, mas com o grande avanço tecnológico e as regras ambientais para o plantio, não é difícil desconstruir os mitos.

 

Recuperação de áreas degradadas

O Espírito Santo tem hoje quase 400 mil hectares de áreas degradadas. Mas o que significa isso? Quer dizer que ao longo dos anos aquele solo perdeu mais da metade da camada superficial, justamente aquela que é mais produtiva. E como isso acontece? Com o pisoteio do gado e com a erosão, por exemplo. Um estudo do Cedagro (Centro de Desenvolvimento do Agronegócio) mostra que 17% da área agrícola do Estado está degradada.

O que muita gente não sabe é que o plantio de eucalipto ajuda a recuperar essas áreas danificadas. O solo é preparado para o plantio e depois de seis ou sete anos, quando a colheita é feita, cascas, folhas e galhos (que tem 70% de nutrientes da árvore) permanecem no local e incorporam-se ao solo como matéria orgânica.

Nós temos estudos que mostram que 19 anos depois do cultivo do eucalipto em terra que estava degradada, a camada superficial do solo cresceu 18 centímetros e isso é muita coisa. A erosão diminuiu com o plantio e o solo se recuperou. Em 1992, o Estado tinha 600 mil hectares degradados, hoje são 400 mil e ainda temos muito a fazer”, afirma o presidente do Cedagro, Gilmar Dadalto.

O subsecretário de agricultura do Estado, Michel Tesh Simon, acredita que a recuperação das áreas degradadas com a plantação de eucalipto pode alavancar ainda mais o desenvolvimento do Estado no setor:

A celulose é um produto que está atrelado ao mercado mundial, mas temos áreas passíveis de produção e muita tecnologia para o plantio do eucalipto aqui no Espírito Santo. Essa cultura evoluiu muito nos últimos anos, temos o cuidado ambiental nos grandes cultivos, através do licenciamento ambiental, então podemos crescer ainda mais, caso o mercado absorva

 

Consome mais ou menos água?

Sabia que o eucalipto s´ó precisa ser irrigado na época do plantio? Com os melhoramentos genéticos feitos na planta, ela ganhou mais tolerância a condições adversas de solo e clima, e consegue ser mais eficiente no consumo de água. Na comparação abaixo é possível entender bem.

O consumo de água de alguns produtos e o do eucalipto

Numa plantação bem manejada, as raízes retiram os nutrientes do solo e os devolvem como matéria orgânica: as folhas secas. Isso recupera a fertilidade da terra, fazendo com que absorva mais água e contribua para o lençol freático”, afirma o engenheiro florestal Walter de Paula Lima, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, SP, autor do livro O Impacto Ambiental do Eucalipto.

Plantio correto

O planejamento e o plantio correto são o segredo para que o eucalipto não prejudique o meio ambiente e garanta todas as vantagens ao solo.

É preciso conhecer bem a terra, ficar atento às áreas de preservação, não plantar perto de cursos de água e nascentes e fazer um bom preparo do solo. Plantar eucalipto com diferentes idades também é recomendado”, explica o engenheiro florestal, Guilherme Christo.